Destituição do PR anima debate político em Angola e desperta máquina mobilizadora do MPLA
Desde que João Lourenço assumiu o poder em 2017, nunca o partido dos “Camaradas” esteve tão alinhado com o líder, demonstrando total apoio ao governo e manifestando apoio incondicional às decisões do presidente do partido.
Por: Na Mira do Crime
A proposta de destituição do Presidente da República por parte da bancada parlamentar da UNITA, de certo modo mexeu com as estruturas do edifício da Ho Chi Min e despertou a necessidade de um trabalho redobrado nas bases para, primeiro, mostrar aos adversários políticos que há (sim) união no seio do partido e resgatar o carisma dos “Camaradas” que há muito evaporou nos becos e ruelas da cidade capital e arredores.
Na verdade, a iniciativa da UNITA, que é de lei, despertou a atenção não só dos militantes de base do MPLA, como chamou atenção aos governantes de topo, e obrigou-os a darem à cara ao manifesto e saírem dos gabinetes para mostrar total apoio ao líder, sob pena de estarem conotados com a linha de pensamento dos “Maninhos”.
Esta ideia estendeu-se até à casa das leis, onde nesta quarta e quinta-feira, 27, na sessão plenária da Assembleia Nacional, os deputados do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) reagiram à proposta da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) de destituir o Presidente, acusando a oposição de estar a recorrer a tácticas de desinformação.
De forma clara, os representantes do MPLA disseram que “estão com o Presidente”, acusando a UNITA de “semear falsas notícias” e “colocar em causa” a imagem do chefe de Estado.
Demonstração de força
Para demonstrar que as estruturas estão firmes, os camaradas realizam neste sábado, 29, no Largo das Escolas, em Luanda, um acto político de massas, para o relançamento do programa "Meu CAP, Meu Partido".
Esta iniciativa já foi realizada em Cabinda onde a número 1 do partido na cidade mais ao norte do país, disparou rajadas de palavras contra o adversário mais directo (UNITA), e com uma plateia considerável, mostrou que, naquela região, os de amarelo vermelho e preto ainda têm uma palavra a dizer.
Nalguns círculos diz-se que esta iniciativa de destituição do chefe de Estado angolano por parte do Galo Negro, teve um efeito boomerang, e ajudou os camaradas a regaçar as mangas, voltar ao trabalho e demonstrar total apoio a João Lourenço.
Este apoio anima o Executivo que alinhado ao novo pensamento e estratégias económicas, tenta tirar o país da estagnação, tentando devolver o poder de compra dos angolanos, que há muito clama de fome.











