À boleia do pedido de destituição de JLo: MPLA e UNITA aquecem os motores em Luanda
Depois de o partido no poder ter realizado uma actividade política de massas em apoio ao seu presidente, João Lourenço, à luz das últimas incidências de índole política, UNITA prepara-se para entrar em campo, a partir do dia 03 de Agosto com acções políticas que visam não só justificar a aparente superioridade na capital do país que patenteou nas últimas eleições, mas também esclarecer ao povo as razões da iniciativa de destituição do presidente angolano.
Por: Olímpio Carlos
Muito já se disse à volta da iniciativa do Grupo Parlamentar da UNITA (GPU) que visa destituir o Presidente João Lourenço, através de um voto secreto na Assembleia Nacional.
Também da reacção que tal iniciativa despoletou no seio dos camaradas, tanto nos círculos mais restritos, como em ambiente mais alargado como se assistiu, sábado último, 29 de Julho, no acto de massas.
O certo é que, do lado do MPLA, com a actividade realizada no sábado último, com duras críticas à UNITA, tudo indica que a partir deste mês de Agosto, os dois partidos vão protagonizar acções de vulto que vão contrariar de certa forma a ideia de que o povo só é tido e achado na véspera de eleições.
Se os camaradas, como são chamados os militantes do partido no poder, vão, a todo custo, impedir que a UNITA materialize a sua ideia que está a ser vista como tentativa de desestabilizar o país, outros ainda a encaram como tentativa de golpe de Estado; os maninhos, os da UNITA, têm como programa "espalhar" a mensagem de que a destituição do presidente é um procedimento previsto na Constituição, por isso legal.
As duas partes, conforme se posicionaram diante dos seus militantes, ilustram tão-somente que mais do que movidos pelo processo de destituição, há vontade de reabilitarem as hostilidades que podem resvalar para a reedição dos anos de conflito armado.
O interessante nisso tudo é o facto de antes da iniciativa do GPU o ambiente político ter estado inerte. Mas agora, surgem mil motivos para as duas forças políticas reacenderem a bipolarização da cena política angolana.
O MPLA já se adiantou no ataque à iniciativa do GPU, enquanto o partido liderado por Adalberto Costa Júnior, pretende, a partir do dia 03 de Agosto, (data do nascimento de Jonas Malheiro Savimbi), levar a todo o país os esclarecimentos sobre o seu posicionamento na Assembleia Nacional e não só.
Pelo que se ouviu do comício popular do primeiro secretário do MPLA em Luanda, Manuel Homem, e na reacção do seu homólogo da UNITA, Adriano Sapinãla, depreende-se que, mais do que as acusações recíprocas, logrará quem refinar melhor o seu discurso e convencer o povo eleitor com acções concretas, sem perder de vista que a maior parte da população angolana é jovem e não está muito interessada com o passado, mas sim com a próxima refeição.











