Quem manda em Luanda?: MPLA e UNITA no “ringue” para o combate de “gigantes”
O panorama político angolano, nos últimos dias, está a conhecer um clima efervescente, em que Luanda, considerada a maior praça política do país, está a ser usada como “barómetro” para aferir quem é quem, em termos de políticas partidárias, entre o MPLA e a UNITA e, consequentemente, quem é o actual “dono” da praça e detém o maior índice de simpatia popular.
Por: Na Mira do Crime
O recente pedido de “impeachment” (destituição) do Presidente da República por parte da bancada parlamentar da UNITA, em meio ao elevado descontentamento popular pela situação da crescente crise económico – social em que se atolou o país, foi o motivo mais forte que estremeceu os corredores do “kremlin” e espantou sobremaneira os camaradas do MPLA.
Habituados que estão a dominar tudo e todos, não admitindo que sejam contrariados, confiantes na força do poder que detêm, deixam-se adormecer à “sombra da bananeira”, vendo o tempo passar, limitando-se ao exercício da “propaganda enganosa”, que tem sido ao longo dos tempos, uma das suas estratégias para levar “água ao seu moinho”, aguardando o próximo pleito eleitoral, não se preocupam em “acertar o passo” aos ventos da mudança.
Por seu lado, a UNITA, que também não está isenta de problemas internos, muitos dos seus membros e militantes de tendência conservadora não entendem determinadas políticas do actual líder, Adalberto Costa Júnior, que, para bem da verdade, tem entretanto sabido tirar proveito do “clima conturbado” que envolveu a sociedade angolana e vai somando pontos.
Uma visão mais actual da política doméstica, com maior abertura, aliada à aliança que fez com determinadas forças da sociedade, no âmbito da Frente Patriótica Unida (FPU), tem valido aos “maninhos” maior aceitação e simpatia por parte da população, com destaque para a juventude, a pontos de, actualmente, ombrear com o “todo-poderoso” MPLA no cenário luandense.
Há alguns anos, era impensável algum outro partido realizar actividades políticas de massa de grande vulto em Luanda, principalmente a UNITA.
Até o material de propaganda nas ruas era imediatamente sabotado, dísticos e bandeiras rasgadas e gente espancada.
Contudo, fruto das suas políticas, o MPLA tem perdido cada vez mais influência em sectores urbanos que anteriormente lhe foram dedicados, o que denota perda crescente de popularidade pelo maior agastamento dos cidadãos.
Outrossim, a manutenção de um sistema estagnado, sem abertura para outros sectores da sociedade faz com que não haja inovação, não acompanhe os ventos da mudança e, assim sendo, não corresponda aos anseios da população.
Nos últimos tempos, além do que se vai alegando, há evidências de que muita gente mobilizada para as suas actividades, é paga e/ou recebe promessas de obtenção de benefícios materiais e outros tais.
Nas eleições de Agosto de 2022, completa agora um ano, a UNITA ganhou na praça de Luanda, desferindo-lhe uma contundente derrota, considerando, que a capital do país sempre esteve sob seu controlo e domínio total.
Nas duas últimas semanas, esta mesma cidade de Luanda volta a ser palco de grandiosas actividades políticas de massas dos dois “gigantes” partidários angolanos.
O local escolhido pelos dois, como que para demonstrar quem leva o maior número de aderentes, é o mesmo: o Largo das Escolas.
Primeiro foi o MPLA, que congregou uma mole humana considerável. Segundo, a UNITA, neste sábado (05) que, igualmente, reuniu alguns milhares de adeptos.
Enquanto isso, para tentar desfeitear a actividade do rival, sempre a seu jeito, o partido dos “camaradas”, realizou marchas e campanhas, alegando apoio ao seu líder, João Lourenço.
Tolerância, civismo e respeito pelos direitos de cada um e de todos é o que a sociedade precisa para bem da democracia.
Até ao fecho desta edição, não havia de relatos de incidentes de vulto. É caso para dizer que Luanda tornou-se agora no “ringue” do “combate” dos “gigantes”. Quem nocauteia?











