NOTA NEGATIVA: Concursos públicos da Educação uma porta que dá entrada a muitos “gatos” no sistema!
A poucos dias do arranque do novo ano lectivo, atendendo as incongruências que têm acontecido em anteriores concursos, com corrupção e muita reclamação à mistura, denota-se uma certa precipitação para a realização de um novo concurso para admissão de 11 mil professores em todo país, cujos resultados acabarão por ser desastrosos. A própria titular da pasta, que anunciou a deliberação, reconhece que o ensino não anda por caminhos viáveis. Pela falta de ponderação adequada, o assunto é a Nota Negativa da semana!
Por: Na Mira do Crime
A passada semana ficou marcada pelo anúncio feito pela ministra da Educação, Dra. Luísa Grilo, da realização nos próximos dias de mais um concurso público para a admissão de 11 mil professores em todo país.
Cogita-se que a decisão do Ministério da Educação, quiçá do próprio Executivo, terá sido tomada à socapa, atendendo ao facto de estar-se prestes ao arranque do novo ano lectivo 2023/2024.
Em meios da sociedade acredita-se que, devido à insatisfação popular face à aguda crise económico – social e a carência de vida, ao elevado índice de desemprego que aflige os cidadãos, o referido anúncio, “em cima do joelho”, como soe dizer-se, é mais uma daquelas manobras para distrair os cidadãos, de que o Governo é fértil.
“Agradar por agradar” nunca deu nem vai dar bons resultados, porque desemboca no conto da “manta curta” que, “se cobre os pés, destapa a cabeça e se cobre a cabeça, destapa os pés”.
Tem-se dito amiúde que as políticas da Educação e Ensino em Angola não são, nunca foram, as melhores.
Diversos especialistas têm prestado a sua colaboração, apontando lacunas e as possíveis formas de as ultrapassar, visando um ensino de qualidade a todos níveis, mas as suas ideias têm sido simplesmente preteridas a favor de um imediatismo cujos resultados deixam muito a desejar.
A forma como esses concursos são realizados, têm sido propícios a actos de corrupção, como pode-se comprovar no mais recente concurso público realizado na província do Bengo, que teve que ser anulado.
A própria ministra da Educação, Luísa Grilo, reconheceu ter havido graves irregularidades, razão pela qual se determinou a invalidação do mesmo.
A governante referiu que, alguns casos configuravam crime e que o dossier foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na altura, os candidatos denunciaram algumas das irregularidades no processo praticadas pelas pessoas que formaram o júri daquele concurso, que assediaram os candidatos em função do pagamento de suborno, sublinhando que “quem não pagasse a ‘colaboração’ não seria admitido”.
Denunciaram ainda que constatou-se ter havido “candidatos que tiveram notas como 2, 3, 4 valores e foram admitidos”, o que os demais candidatos, com capacidade, consideraram totalmente descontentes, como “uma plena injustiça”, pondo também em causa a lista provisória, em que foi possível verem as suas notas.
“Já na lista definitiva, muitos não conseguiram ver os resultados finais”, afirmaram, exigindo “justiça e transparência”.
Assim sendo, deveria ter havido uma imediata responsabilização dos tais agentes, perante os actos ilícitos apurados.
Porém, o tempo passou e não houve responsabilização dos infractores, tendo a PGR avançado “que o processo decorre em segredo de justiça”, mas a “culpa morreu solteira”.
Ao anunciar a nova edição do concurso para admissão de 11 mil professores a nível nacional, a governante reconheceu também que o ensino em Angola vai muito mal, apontando que muitos professores são incompetentes, a ministra realçou que a maioria dos alunos que atingem a 4ª classe “não sabem ler” o que é inconcebível!
Ora, a realização de mais um concurso, pelos vistos sem a devida ponderação, sem o cuidado necessário para se contrapôr as irregularidades registadas anteriormente, de certeza que vai fazer entrar para o sistema de ensino muito “gato por lebre”.
Igualmente, situação idêntica tem acontecido no sector da Saúde, cujos concursos, bastante contestados por candidatos, introduzem nos nossos hospitais um grande número de “açougueiros”, em vez de enfermeiros ou médicos.
Por isso não é de estranhar que, do ensino primário ao superior, a formação de quadros, que se quer competentes, vai mal.
É uma cadeia sistemática que começa em baixo, com professores que não sabem leccionar, não têm dom para tal, apenas querem um emprego, falam mal e não sabem escrever.
O que pode, um professor nestas condições, que não sabe conjugar um verbo, transmitir para que o aluno absorva? Apenas deturpação! O resultado final, é uma “safra” de quadros ditos “superiores” incipientes e com muito má formação, como muitos que proliferam na nossa sociedade, exibindo canudos, mas não sabem expressar-se devidamente, nem expor com eficiência o seu raciocínio e, consequentemente, escrevem mal.
São juristas, politólogos, sociólogos, médicos, jornalistas e outros. A questão é: se falam mal, escrevem pior e não conseguem transmitir correctamente os conhecimentos que adquiriram ao longo da formação, como chegam ao nível superior e são diplomados?!!











