NOTA POSITIVA - Visita de Lula da Silva é uma lufada de ar fresco nas relações entre Angola e Brasil
A semana finda ficou marcada pela visita de dois Chefes de Estado a Angola. Primeiro, no dia 20, chegou ao país o Presidente da República de Cuba, Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez, que cumpriu uma visita de Estado de três dias. Posteriormente, também para efectuar uma visita de Estado, chegou no dia 24, o Presidente do Brasil, Luís Inácio "Lula da Silva". Pela sua especificidade, a visita de Lula da Silva é a Nota Positiva da semana.
Por: Na Mira do Crime
As duas visitas são igualmente de suma importância para Angola. Porém, a de Lula da Silva reveste-se de um cariz especial, atendendo que as relações, históricas, de Angola com a República Federativa do Brasil, agora poderão ser muito mais fortes, sobretudo com a sua liderança.
As relações com o Brasil esmoreceram um tanto de um tempo a esta parte, depois de terem atingido um nível desenvolvido na cooperação bilateral e na parceria estratégica, quando da anterior presidência de Lula da Silva e antecessores.
Na altura, a relação entre os dois países conheceu a maior abrangência no domínio da cooperação, augurando-se agora, com o “regresso” do carismático Lula à liderança do Brasil, que os laços históricos se reforcem cada vez mais.
A relação entre Angola e o Brasil há muito que deixou de ser apenas política, tornando-se uma relação estabelecida entre os dois povos ao longo dos tempos. O Brasil, recorde-se, foi o primeiro país do mundo a reconhecer Angola como Estado soberano, logo depois da independência a 11 de Novembro de 1975.
O reavivamento das relações Angola-Brasil são bem vistas e aplaudidas pela sociedade, considerando que, no quadro da diversificação da economia angolana, pela experiência dos brasileiros no desenvolvimento dos sectores da Agricultura e Indústria, entre outros, bem como pela semelhança em diversos aspectos, cultural inclusive, entre as duas nações, o Brasil é o país que mais se identifica com Angola.
Importa agora, aproveitando a grande visão política, cultural e humana de Luiz Inácio “Lula da Silva”, que se reflicta bem no que os angolanos pretendem e se aproveite melhor a cooperação entre ambos países.
A nível do continente americano, o Brasil é a terceira economia, depois dos Estados Unidos da América (EUA) e do Canadá, sendo a nona economia no mundo, potencial que Angola deve aproveitar para o crescimento da sua economia.
Para tal, os políticos angolanos devem ter “olhos de ver” e “cabeça para pensar”, devem pugnar por políticas visionárias que sirvam os interesses do país e do povo angolano, deixando de lado os habituais subterfúgios que têm feito com que Angola, em vez de progredir, recue cada vez mais para um nível de degradação a todos níveis, submetendo os cidadãos à miséria, ao sofrimento, sem um horizonte claro para o futuro, o que limita os jovens e as novas gerações, principalmente.
A visita do Presidente brasileiro, que foi condecorado pelo Presidente João Lourenço, com a Ordem Dr. António Agostinho Neto, retribuindo o gesto, ao condecorar o seu homólogo angolano com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, permitiu a reactivação do fórum de comércio entre os dois países e a assinatura de acordos de cooperação nos sectores da indústria, agricultura, turismo e transporte.
Lula da Silva, entre diversas actividades em que esteve presente, causou um clima de boa disposição com os seus pronunciamentos, tendo igualmente discursado na Assembleia Nacional de Angola, apontando que o Brasil é o parceiro ideal para ajudar a alavancar a estratégia de diversificação da economia angolana, sobretudo no sector da indústria alimentar.
O Brasil “tem conhecimentos tecnológicos e políticas públicas para compartilhar com Angola, no domínio da segurança alimentar”, desafios comuns que os dois Estados enfrentam, destacando a implementação de um plano de acção conjunto entre os respectivos ministérios da Agricultura, sem especificar o horizonte temporal.
No ano de 2022, o volume de negócios entre Brasil e Angola atingiu a cifra de cerca de 700 milhões de dólares americanos. Este valor, contudo, apresenta-se consideravelmente inferior aos 2,371 mil milhões de dólares reportados em 2014, de acordo com dados fornecidos pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX).
Especialistas ressaltam a necessidade de concentração em sectores-chave para a cooperação entre Angola e Brasil.
A indústria petrolífera e a agroindústria emergem como prioridades na parceria bilateral. “Angola deve priorizar os sectores de tecnologia petrolífera e agroindústria, nos quais o Brasil detém notável experiência”, aconselham.
É caso para dizer que a presença de Lula da Silva em Angola trouxe uma lufada de ar fresco aos governantes angolanos que, nos últimos tempos, têm optado por cooperações que “não têm nada a ver”, que não honram, não dignificam, nem beneficiam o país e os angolanos!











