25 meses sem salários: Polícia reprime manifestantes da Casa Militar e faz 14 detenções em Luanda
A Polícia Nacional reprimiu, na manhã desta terça-feira, 29, defronte o tribunal Dona Ana Joaquina, uma manifestação de centenas de efectivos de sapadores afectos ao Batalhão de Transportes Rodoviários da Casa Militar do Presidente da República.
Por: Na Mira do Crime
Não houve registo de violência, mas houve pelo menos 14 detenções. Segundo o Coordenador da Comissão Representativa dos efectivos da Casa Militar no Cuando Cubango, Adelino Daniel Pessela, a manifestação em Luanda era necessária, pois as realizadas em Menongue não produziram efeitos desejados.
"Além das manifestações que fracassaram na província do Cuando Cubango, os efectivos vieram a Luanda, onde foi julgado o major Lussati, e onde o juiz da causa, Dr Andrade da Silva, deve dar uma explicação", disse.
"Viemos para nos manifestar hoje, dia 29 de Agosto, para que tivéssemos uma resposta clara do meritíssimo juiz, Andrade da Silva, mas infelizmente, no começo da nossa manifestação junto do tribunal, apareceu a polícia que deteve mais de 10 pessoas, nossos colegas", acrescentou, revelando que foram passeando pelas artérias de Luanda e, "neste momento" encontram-se na esquadra Farol da Lagosta, no bairro Uige, município de Cacuaco.
De acordo cm dados em posse do Na Mira do Crime, detidos constam os nomes Bernardo chongolola, Lúcio Bernardo, Justino tchimbumgue, Bernardo Miguel Ulika, João David Zama, Henriques Tulumba Kachumbe, Anacleta de Lima Guimarães, Milagre Bento, Édson João Domingas, Sebastião Bernardo, José Gomez Mussunda, Ana Maria Leopoldo, Victor Salomão João.
Considerou urgente soltar estes detidos, porque, em seu entender, não cometeram nenhum crime e nenhum erro, simplesmente estavam a se manifestar; “é direito do cidadão. Nós remetemos o documento no governo provincial e na polícia, mas, depois, o governo disse que não poderíamos nos manifestar porque somos militares. Se nós fomos expulsos das nossas unidades, não temos nenhuma identidade, e estamos em nossas casas, só na altura da manifestação é que reconhecem que afinal somos mesmo militares?", questionou Adelino Pessela.
Passela alertou aos governos do Cuando Cubango e Central no sentido de não brincarem "com coisas sérias".
"Se até hoje não aconteceram coisas graves, é porque estamos a manter a calma máxima, mas a paciência tem limites; se até hoje não houve incidentes é porque a comissão tem feito um trabalho muito positivo", destacou, referindo que têm sensibilizado o pessoal ao ponto de não fazer nenhuma confusão, nenhum estrago, "mas se amanhã vier a acontecer algo que venha a chocar a comunidade ao nível da província do Cuando Cubango, ao nível nacional não devem procurar culpados".
Disse ainda que fruto da expulsão e o consequente congelamento das contas, as famílias desintegraram-se e os seus filhos estão fora do sistema de ensino, para além dos efectivos que continuam a morrer "dia após dia, por falta de assistência médica".











