ACJ acusa CIVICOP de fugir seus objectivos e fazer propaganda para manchar a UNITA
O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, acusou a Comissão de Averiguação e Certificação de Óbitos das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) de estar a desenvolver a propaganda de capitalizar em nomes sonantes do seu partido, vítimas dos conflitos para ofuscar os largos milhares de anónimos sumariamente mortos e que jazem nas valas do Cacuaco, no bairro Chendovava, na Funda, no cemitério do 14, no Camama e valas existentes em todas as províncias do nosso país.
Lito Dias
Para o político que falava em conferência de imprensa, esta terça-feira, em Luanda, disse que esta prática configura das piores ofensas a milhares de famílias sem voz para reclamarem os seus entee queridos desaparecidos.
Considera que a exemplo da África do Sul, onde se debateu publicamente os conflitos, que responsabilizou os autores, exigiu aos mesmos pedidos de desculpas e transmitiu a toda nossa e ao mundo um genuíno processo de Reconciliação e da Verdade; Angola devia seguir o mesmo procedimento "sem propaganda, sem gabinetes de propaganda institucional vinculadas à presidência da República (... ) sem manipulações, com pluralidade e contraditório na imprensa pública, com credibilidade para atingirmos objectivos a que se propôs".
ACJ afirmou que em nome de toda a verdade, muitos questionam se o governo pretende exibir na televisão pública imagens das milhares de valas comuns espalhadas por todo o país, vítimas dos fuzilamentos públicos nos arrepiantes paredões, assim como "dos milhares de mortos do 27 de Maio de 1977, Sexta-feira sangrenta de 1993, do genocídio político e tribal pós-eleitoral de 1992, das mortes que continuarem a ocorrer após o dia da Paz, como as do Monte Sumi, de Cafunfo, dos fuzilamentos públicos nas manifestações pacíficas e tantas outras".
"Em relação à escavação de prováveis sepulturas, a UNITA mandatou os seus representantes na CIVICOP para defenderem, com vigor os princípios que elevam a actividade desta comissão, acima das querelas partidárias, para que não se anulem as suas conquistas", sublinhou, lembrando que a referida comissão foi projectada pelo executivo angolano como fórum de consolidação da paz e reconciliação nacional.
UNITA, segundo o seu presidente, espera que a CIVICOP trabalhe com transparência e integridade moral, lembrando que o decreto presidencial no 209/20, de 4 de Agosto, cria a comissão anexa à CIVICOP, com a designação de “Comissão de Averiguação e Certificação de Óbitos das Vítimas dos Conflitos Políticos” e aprova da sua estrutura, organização e funcionamento. A alínea h) desse regulamento, obriga-a a elaborar os relatórios trimestrais, semestrais e anuais das suas actividades e remeté-los à CIVICOP, repito, à CIVICOP e "não à TPA ou qualquer outro órgão de imprensa, ou qualquer Porta Voz".
Para o líder do maior partido da oposição, as sepulturas devem ser preservadas, até terem terminado as operações de busca e identificação, com inteira cooperação das testemunhas relevantes, em que as famílias são parte fundamental. "A exibição pública de ossadas, é condenável e, a todos os títulos, é uma profanação", patenteou, recomendando a CIVICOP a retomar o seu lugar neste processo e tenha apenas um coordenador, o ministro da justiça e direitos humanos; apenas um porta- voz, o ministro da justiça e direitos humanos; as decisões devem ser tomadas em reuniões da CIVICOP, devidamente convocadas pelo seu coordenador; os grupos técnicos devem submeter-se à CIVICOP, nos termos da legislação prevista e não agir à margem das decisões deste órgão.











