Em França: Archer Mangueira ‘ignora’ população faminta e torra 2 milhões de dólares em casamento da filha
Enquanto o governador do Namibe foi à França, o antigo ministro de Estado para a Coordenação Económica preferiu Portugal como palco do casamento da sua filha. O volume do dinheiro gasto nestes dois casamentos é de bradar aos céus, um claro desafio ao combate à corrupção.
Por: Jornal Pungo a Ndongo
Numa altura em que se fala de crise financeira no país, o governador do Namibe Archer Mangueira foi a Paris (França) gastar numa só assentada pelo menos dois milhões de euros no casamento do filho Pablo.
O enlace matrimonial do rebento de Archer Mangueira decorreu no glamoroso Château de Chantilly, muito concorrido por celebridades de todo o mundo.
O leque de convidados, incluindo russos, chineses, ou mesmo portugueses foram em avião privado. Já no caso de Manuel Nunes, o casamento em terras de Camões fechou um hotel.
Como era de esperar, as reacções vieram de todos os quadrantes da sociedade, incluindo da própria província do Namibe, onde Archer Mangueira é edil.
Em muitas localidade do Namibe há fome e seca que fustigam a população. Por exemplo, de Makala Sede, no interior da província, como descreve o site Confidencial News a seca dura já há mais de dois anos e por isso mesmo “as plantações estão prejudicadas e a fome castiga ainda mais a comunidade”.
Os habitantes daquela povoação pedem ajuda do Governo. Aliás, o regedor da circunscrição identificado por Victorino Jeremias diz mesmo que “o povo sofre muita fome”.
Como se não bastasse, acrescentou, da agricultura nada se pode esperar, porque “não sai mesmo nada”, devido a estiagem contínua.
Dorme-se à fome, as crianças são as mais atingidas, mas os adultos também. “É por isso que queremos o apoio do Governo em bens alimentares. É mesmo muito sofrimento, pois dependemos das hortas e quando delas não sai nada é mesmo um sofrimento”, lamentou esta autoridade tradicional.
Nisto é secundado por Rosalina Ngueve, moradora da povoação que fala em “sacrifícios” para sustentar os filhos, numa altura em que os preços dos alimentos inflacionados impendem o acesso a uma alimentação rica e saudável.
“Quando você na cidade onde mora há crianças a vasculhar no lixo, o que comer, e vai ao estrageiro gastar tanto dinheiro significa falta de patriotismo. Mesmo que tenham tal dinheiro não vale essa ostentação. Que guardem o tal dinheiro. Não vale fazer ostentação num país que ajudaram a delapidar”, observa o empresário Elizeu Gaspar.
Para não variar, o também ‘número dois’ da Associação Industrial de Angola (AIA) lembra que “um ainda continua no Governo (referindo-se a Archer Mangueira) e à frente de uma província com níveis de pobreza elevados.
O outro (Manuel Nunes) também esteve no Governo por muito tempo.
Se ambos vão ao estrangeiro casar os filhos com tanto dinheiro, isso até é motivo de escrutínio público”, defende ainda Elizeu Gaspar.
“Lá fora onde foram gastar tanto dinheiro os brancos riem-se deles”, afirma ainda o também economista, sublinhando, mesmo que a esses dois membros do bureau político do MPLA “falta-lhes juízo”.
Esse dinheiro aponta, deveria ser investido aqui, onde é útil para a criação de emprego, ou de equipamentos sociais para as comunidades.
“Se a mentalidade deles (governantes) é essa, ou seja, gastar lá fora é urgente uma introspecção no interior do MPLA, porque isso é contra a moralidade pública e fere a luta contra o combate à corrupção, uma das bandeiras da governação do Presidente João Lourenço”, afirma o activista cívico Francisco José.
Chantilly, que castelo é esse?
O Castelo de Chantilly (em francês: Château de Chantilly) é um palácio localizado em Chantilly, Oise, no Norte da França, no vale do rio Nonette, afluente do rio Oise.
Monumento histórico ligado à personagem de François Vatel (1631-1671), que aqui teria criado a receita culinária do creme chantili (do francês Chantilly), compreende dois edifícios principais: o Grand Château e o Petit Château.
Mais tarde, em 1781, a seu respeito, Louis-Sébastien Mercier referira: “Nunca encontrei nada comparável a Chantilly nos arredores da capital. (...) Trinta viagens neste lugar encantado não diminuíram a minha admiração. É o melhor casamento feito entre a arte e a natureza”.
O palácio ocupa o lugar de um castelo medieval. As grandes cavalariças, construídas entre 1719 e 1740, são uma obra-prima do arquitecto Jean Aubert e abrigam, actualmente, o Musée vivant du cheval (Museu vivo do cavalo).
Os jardins são uma das mais notáveis criações de André Le Nôtre. À excepção do Petit Château (pequeno castelo), construído por volta de 1560 por Jean Bullant para Anne de Montmo- rency, o palácio foi destruído durante a Revolução Francesa e reconstruído na década de 1870, segundo planos do arquitecto Honoré Daumet, para o último filho do Rei Luís Filipe I, Henri- que de Orleães, Duque d’Aumale (1822- 1897), herdeiro do domínio de Chantilly, que aqui instalou as suas colecções de pintura, desenhos e livros antigos.
Este proprietário viria a legar o conjunto ao Instituto de França, sob o nome de Museu Condé.
No Petit Château, uma biblioteca abriga cerca 500 manuscritos e 12 mil volumes, incluindo um exemplar da Bíblia de Gutenberg.
A cidade de Chantilly desenvolveu-se para Oeste do palácio durante e depois da RevoluçãoFrancesa.
Durante a Primeira Guerra Mundial, as dependências do castelo foram utilizadas como quartel, tendo abrigado diversas conferências entre os Aliados. Actualmente é propriedade do Instituto de França.











