EUA “ultrapassa pela direita” China e Rússia nas relações económico-financeiras com Angola
Os Estados Unidos da América (EUA) estão a alargar o campo de actuação em Angola no âmbito da sua polı́tica económica, com a mobilização de avultados recursos para financiar importantes projectos, alguns dos quais já em curso.
Por: Na Mira do Crime
A Administração de Joe Biden está a dedicar uma atenção especial a Angola, cujas relações bilaterais se têm intensificado desde Abril de 2022, depois da deslocação a Washington de uma delegação do Governo angolano que apresentou uma nova visão, assim como propostas, visando o alargamento da cooperação bilateral em diversas áreas, desde a económica à militar.
O Presidente João Lourenço é descrito como o mentor da promoção efectiva da aproximação Angola-EUA, considerando que “não é muito afeiçoado pelo tipo de relações mantidas com a China”.
O Chefe de Estado angolano foi recebido na Casa Branca em Dezembro de 2022, depois de tentativas anteriores que não foram bem sucedidas, tendo sido um dos Presidentes africanos convidados para participar na cimeira EUA-África naquele mesmo ano.
De acordo com fonte bem informada, João Lourenço “está verdadeiramente determinado em promover e melhorar a imagem de Angola no exterior”, diminuindo o “monopólio” que a Rússia e a China ainda vão mantendo nas relações com Angola, o que tem, em certa medida, “retraído” a aproximação de outros países.
Nesse sentido, a manutenção de relações sólidas com os EUA, no âmbito da diversificação das relações externas, além de intensificar a concorrência entre cada potência, vai fazer com que ninguém queira deixar os seus créditos em mãos alheias, respeitando mais os compromissos e fornecendo serviços de maior qualidade.
Igualmente, relações saudáveis com os EUA farão com que outros países, e organizações internacionais, passem a olhar para Angola de forma diferente, o que vai aumentar o nível de confiança pelo país e dar novo impulso à recuperação e desenvolvimento da economia, em especial nos sectores industrial, mineiro e das infra-estruturas.
“Ao investimento norte-americano são associadas capacidades financeiras, tecnológicas e de organização que se considera terem faltado a muitos projectos de investimento interno ou em parceria com capitais externos, que por essa razão não corresponderam às expectativas”, refere a fonte, acrescentando que “pode ser o fim das obras de esferovite”.
Assim sendo, está já em curso, através de fundos norte-americanos, públicos e privados, do Sun Energy e Africa Global Shafer, o financiamento de 900 milhões de dólares para uma central eléctrica solar, considerado “o mais importante projecto de ‘nova geração’ lançado pelos EUA em Angola”, por enquanto.
Igualmente, rondando cerca de 500 milhões de dólares, foi anunciada no corrente mês de Setembro, a proposta de financiamento do Corredor do Lobito (CFB), com apoio do programa norte-americano para Investimento Global em Infraestruturas (PIGI), que garante estarem disponı́veis até 1.000 milhões de dólares para o projecto, em parceria com a União Europeia.
Estão em estudo novos projectos empresariais no plano mineiro e industrial, impulsionados pelos investimentos em grande escala em infra-estruturas.
Destaca-se que o consórcio privado ao qual foi adjudicada a concessão da exploração do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) por 30 anos, prevê, até 2025, “elevar para padrões normais os baixos nı́veis de operacionalidade da via, visando, na sequência, assegurar a rentabilidade da companhia”.
O referido consórcio é constituı́do pela multinacional suı́ça Trafigura e pela construtora portuguesa Mota Engil, cada uma das quais com 49,5%; os restantes 1% são detidos pela Vetris, apresentada como uma operadora ferroviária de origem belga.
O grosso dos investimentos destinados a atingir tal objectivo será aplicado, na via, com a construção de novas obras, entre pontes e pontões, mais resistentes que as actuais, a reconstrução de múltiplos troços do seu traçado para corrigir problemas designados como estranguladores de uma fluı́da circulação das composições, cuja velocidade deverá passar dos actuais 26 km/h para 60 Km/h.
Na mesma esteira está a construção de “um ramal de ligação directa à rede ferroviária da Zâmbia e retomar então o tráfego de cargas, que saem e entram pelo Porto do Lobito, bem como está prevista também, com o mesmo objectivo, a futura reconstrução de um ramal de ligação à RD Congo”.
Conforme tem sido anunciado pelas autoridades angolanas, o reforço das relações com os EUA visa ainda apetrechar e dotar as Forças Armadas Angolanas (FAA) de “efectiva capacidade militar e operacional, tendo em vista ajustar as suas aptidões à participação em missões internacionais passı́veis de prestigiar o paı́s”.











