Relatório revela que Governo ‘desconhece’ aplicação de mais de 25 biliões de dólares emprestados à China
Dos cerca de 60 mil milhões de empréstimos concedidos à Angola pela China, 45 mil milhões de dólares seriam aplicados em 258 contratos. Entretanto, mais de 25 mil milhões de dólares não se sabem ao certo em que foram aplicados, refere o relatório da CLA-Data-base, uma investigação iniciada em 2007, e que usa várias fontes para contabilizar os respectivos valores.
Por: Mbengui Pedro
O economista e investigador da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto Fernandes Wanda, sugere uma investigação e auditoria ao Ministério do Plano e das finanças, sublinhando que os prejuízos nos empréstimos chineses para com a África e Angola em especial, tem que ver com a falta de exigências aos credores.
Desde o ano 2000, Angola efectuou 258 contratos de empréstimos com a China, pelo menos os contabilizados, o que representa cerca de 45 mil milhões de dólares, fixando-se em 26,5 por cento do total que a China emprestou ao continente africano, sem calcular os desembolsos, reembolsos ou incumprimentos.
“Os bancos chineses emprestam dinheiro sem exigir dos governos africanos transparência e boa governação”, justifica, referindo que os mesmos limitam-se apenas em garantias e juros comerciais, porque estão interessados em fazer dinheiro.
Wanda é de opinião que os angolanos precisam saber onde e como foi aplicado o dinheiro emprestado da China, lembrando apenas que cerca de 11 mil milhões foram alocados na capitalização da Sonangol, o resto na construção das seis grandes fazendas e outras infra-estruturas que o Estado não soube rentabilizar.
Dados da (CLA Data-base), indicam que a divida total de Angola com a China, deve rondar os 60 mil milhões de dólares, sendo que o mais recente empréstimo foi realizado o ano passado pela empresa estatal de defesa para a tecnologia aérea (CATIC).
Referir que os empréstimos chineses concedidos a África, entre 2000 e 2022, estão estimados em 170 mil milhões de dólares, uma parceria que envolve 39 entidades financiadoras e 1.243 acordos assinados com 49 governos e sete instituições regionais.
Vale referir que a China é o maior país em desenvolvimento no mundo. Já África é o continente com o maior número de países em desenvolvimento.
É por esse caminho que a relação económica China-África se desenvolveu, rapidamente, nas últimas duas décadas.
Dados estimam que a China aumentou o investimento em África nas últimas quatro décadas. Os fluxos aumentaram de 75 milhões de dólares em 2003, para cinco mil milhões em 2021.











