Negligência médica: Mulher operada com tubo de soro no Hospital dos Cajueiros morreu na África do Sul
Morreu na África do Sul, a Cidadã nacional Maria Luísa José, de 32 anos de idade, operada com tubo de soro no passado dia 17 de Fevereiro de 2022, por conta de uma cesariana, no Hospital dos Cajueiros, em Luanda.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Este caso foi amplamente divulgado pelo Na Mira do Crime e seguimos milimetricamente a paciente, alertando do perigo de morte, dado o estado preocupante da jovem, que volta e meia era destratada e transferida de hospital em hospital.Lermaisem:(https://namiradocrime.info/show/5438)(https://namiradocrime.info/show/5951)
Jorge Miguel, irmão da malograda, que acompanhou todo o histórico clínico da paciente, voltou a falar em exclusivo ao Na Mira do Crime, mas desta vez não era apenas a preocupação com o tratamento que a irmã vinha sofrendo por parte dos técnicos de saúde do Hospital dos Cajueiros, desta vez tinha lágrimas nos olhos, porque a sua irmã, tal como, alertávamos, acabou por morrer, ainda muito jovem.
Segundo o nosso entrevistado, os momentos vividos pela sua irmã antes de conhecer a morte foram difíceis, e diz que nunca vai esquecer o percurso vivido pela família nos hospitais Cajueiros e Américo Boavida, antes da paciente ser evacuada para a África do Sul.
Em função das denúncias feitas pelo Na Mira do Crime, ainda em 2022, conta o familiar, o Ministério da Saúde decidiu evacuar a jovem para África do Sul. Desta forma, foi transferida para um hospital em Pretória, isto no dia 09 do ano em curso.
“A minha irmã foi transferida para a África do Sul com uma junta médica, e eu estive presente a acompanhar os trabalhos, tão logo o avião aterrou, ela foi levada directamente ao hospital de Pretória, onde foi submetida a exames médicos", contou, lembrando que, no dia 15, a paciente foi operada, mas os médicos não conseguiram controlar a situação, “a ferida estava infectada, porque as fezes saíam pelas feridas, no abdómen, ela estava com a bexiga já danificada”, lamentou.
No dia 18 de Junho, conta o irmão, a paciente voltou a ter uma intervenção cirúrgica para concluir os trabalhos de sutura.
"Voltou ao bloco operatório para fechar a ferida na parte de fora, porque só haviam suturado a parte de dentro”, em função disto, continua, a paciente passou a fazer muitas transfusões de sangue nos dias seguintes.
“O estado clínico da minha irmã parecia melhorar, até que no dia 14 de Julho, às 16 horas, recebi a informação que ela acabava de morrer”, chorou.
"No mesmo dia eu não tinha ido ao hospital, estava com dores de cabeça, mas pediram que eu fosse, infelizmente fui informado que ela já não fazia parte do mundo dos vivos, achei estranho ao ver o corpo dela muito inflamado, os médicos aconselharam-me a uma autópsia, mas achei desnecessária, ela já tinha sofrido bastante nas mãos dos médicos angolanos", deplorou.
A partir daquele momento, Jorge Miguel explica que teve que passar por momentos difíceis, principalmente para transladação do corpo da malograda, que só foi possível no dia 05 de agosto.
"Primeiro é que durante a nossa estadia na África do Sul eu era muito controlado, não era permitido usar o telemóvel quando estivéssemos reunidos,
durante conversas para a transladação do corpo, notei que a intenção dos representantes do Estado angolano era que a minha irmã fosse sepultada na África do Sul”, lamentou, acrescentando que, para que isso se efectivasse, as autoridades angolanas naquele país diziam que não era responsabilidade de José decidir sobre a transladação dos restos mortais da irmã, porque um dos nomes dos progenitores de ambos, era diferente no Bilhete de Identidade.
“Alegavam que não éramos irmãos, e que não havia dinheiro da saúde na embaixada, mas era obrigação do Estado angolano assumir todas as despesas, uma vez que o erro partiu dos médicos em Angola", sublinhou, referindo que teve que aumentar a pressão junto da embaixada angolana e até de algumas entidades, sobretudo do Secretário de Estado para Área Hospitalar, Leonardo Europeu Inocêncio, “que muito o ajudou”.
Segundo o entrevistado, os restos mortais de Maria Luísa, chegaram ao país no dia 05 de Agosto, mas permaneceu no terminal de carga duas noites, porque os familiares exigiam que o Estado angolano assumisse as responsabilidades do acto fúnebre.
"Pagaram apenas o carro da agência funerária e o buraco, nada mais fizeram, e não só, estamos entristecidos pelo facto de não ter sido feita menção no boletim de óbito, as causas da morte da nossa irmã”, lamentaram.
Filhos da malograda abandonados
Um outro problema que aflige a família de Maria Luísa José, é o facto de os filhos (4) deixados pela malograda, estarem abandonados, ou seja, o Estado não se responsabiliza em nada.
“Estão a passar por necessidades de várias ordens, estão sob cuidado da avó, na comuna da Funda, município de Cacuaco, onde se dedicam ao trabalho agrícola”, disse.
“Ela deixou quatro filhos, a primeira está com 16 anos, a segunda com 14, a terceira está com 9 anos e a última com 7; não estudam, nem sequer estão registadas, por isso, pedimos que alguém de direito nos ajude a sair desta situação, uma vez que a avó das crianças também já é de idade avançada", pediram.
Vale sublinhar que os restos mortais de Maria Luísa José, foram a enterrar no dia 7 de Agosto do corrente ano, no cemitério da Mulemba e deixa os quatro filhos órfãos de pai e mãe.







