V Legislatura: PR prepara o sétimo discurso que se espera mais difícil sobre o estado da Nação
Nos últimos anos, tirando os fazedores de opinião e alguns políticos de primeira água, poucos prestam a atenção às novidades, do discurso sobre o estado da Nação que, por imperativo constitucional, é proferido no acto de abertura de cada ano legislativo, pelo Presidente da República, na Assembleia Nacional, salvo se houver "indisponibilidade momentânea". Também, este ano, olhando para conjuntura angolana, não se espera grande coisa.
Por: Lito Dias
Há 10 anos, a esperança dos angolanos era para dias melhores, mas de lá para cá, as crises têm sido cíclicas, em parte ou quase sempre, por culpa da subida do preço de petróleo no mercado mundial.
Nos dias de hoje, o preço do petróleo tem flutuado de tal maneira que ninguém se importa com ele. Aliás, quando até a comida falta à mesa, a solução é procurá-la de qualquer maneira.
Contra a expectativa e desagrado de todos, a recolha de comida no lixo, plásticos e tudo o que é metal para pesar tem sido a solução.
Nessa desenfreada luta pela próxima refeição, muitos cidadãos têm sido apanhados a vandalizar bens públicos, estragando o que já vai mal.
O estado da Nação de há 10 anos trouxe aos angolanos a ideia de que não era fácil compreender todas as soluções achadas pelo Executivo naquele período de transição para o Estado social e a economia de mercado.
Há quem pense que o crescimento e desenvolvimento social a diferentes velocidades de vários segmentos sociais seja uma política deliberada para perpetuar a injustiça social.
Não é assim, segundo o então Chefe de Estado que justificava tal momento, em que a crise já tinha rosto, com um fenómeno inerente àquele período de transição, em que a Nação precisava de empresários e investidores privados nacionais fortes e eficientes para impulsionar a criação de mais riqueza e emprego.
Era, em 2013, em que o então Presidente da República deixou uma mensagem de muita esperança em sede da Assembleia Nacional, pois já pensava que aquele momento de uma crise iminente criaria, naturalmente, a estratificação da sociedade, isto é, o surgimento de várias classes sociais.
Ainda assim, deixou uma mensagem de fé, de esperança que se renova todos os dias e de confiança na construção de um futuro melhor e de construção da nova sociedade democrática, inclusiva e próspera.
De lá para cá, o discurso sobre estado da Nação tem sido caracterizado pela apresentação de estatísticas sobre o que foi feito, o que se está a fazer e o que se pretende fazer.
Do outro lado está o povo que reclama coisas básicas como a comida, emprego, água potável. A energia, na maioria das cidades capitais do país, melhorou de forma assinalável.
O que João Lourenço deve falar no dia 16 de Outubro?
A 2ª Sessão Legislativa da V Legislatura da Assembleia Nacional arranca na próxima segunda-feira, dia 16, e terá como momento mais alto discurso sobre o estado da Nação.
Desde que se estabeleceu que o Chefe de Estado deve discursar na abertura do ano legislativo este será, certamente, o sétimo discurso que se espera mais difícil, por causa dos níveis elevados de contestação ao Executivo, que tarda encontrar fórmulas para minimizar o sofrimento dos angolanos.
O facto do discurso sobre o estado da Nação ocorrer intramuros, dá a possibilidade de João Lourenço aparecer, para não fugir a regra, com números sobre o betão que se ergue em quase todo o país, mas sem impacto imediato na vida das populações.
Logo, ciente do nível de contestação de que é alvo, o Chefe de Estado evitará certamente fazer tantas promessas ao mesmo tempo que preferirá justificar as causas da crise sem precedentes que Angola vive em tempo de paz.
Na senda das justificações da crise, poderá, eventualmente, rebater as causas do fraco investimento estrangeiro, repartindo as culpas com partidos políticos na oposição que, recentemente, foram acusados de afugentar o investimento estrangeiro.
E porque o que está em voga é o desenvolvimento das comunidades, uma pincelada poderá ser feita na necessidade de se realizar as eleições autárquicas, na incentivação do programa Kwenda bem como as acções do PIIM, estes últimos programas que constituem o cartão-de- visita das acções do Executivo nos últimos dois anos.
Espera-se também que João Lourenço reaja, dentre outros assuntos, ao processo da sua destituição que o Grupo Parlamentar da UNITA pretende remeter à Assembleia Nacional.
Um assunto que, embora constitucional, tem sido visto por militantes do partido no poder como "tentativa de desestabilização do país".











