NOTA POSITIVA – Polícia desactiva “Turma do Apito” do Sambizanga envolvida em extorsão, sequestro e tortura
A Polícia Nacional (PN), em particular o Comandante Provincial da Polícia em Luanda, Comissário-chefe, Francisco Monteiro Ribas da Silva, recebem uma Nota Positiva pela decisão tomada, através da sua Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), de desactivar o malquisto grupo de “vigilância comunitária” denominado “Turma do Apito”, que se dedicava à prática de diversos crimes, com realce para os de extorsão, sequestro, tortura e agressão física.
Por: Na Mira do Crime
Até que enfim! Muita gente respirou de alívio quando foi anunciado que a Polícia acabou com os desmandos praticados pela “Turma do Apito” no distrito urbano do Sambizanga, onde encerrou também seis alegados “quartéis” pertencentes ao grupo, ou seja, covis onde realizavam diversos crimes.
Segundo informação da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), a “Turma do Apito” realizava serviço de patrulhamento, instalava contróis no interior dos bairros e até designava horas de circulação em determinados pontos, como se de órgãos policiais se tratasse. Quem não cumprisse com o que estabelecia sofria consequências graves.
A medida da Polícia é de facto positiva, mas peca por ser tardia. Há muito que é do seu conhecimento as atrocidades praticadas pelos tais “vigilantes”, pois a população sempre se queixou das suas práticas em diversos pontos de Luanda onde, à semelhança do Sambizanga, também foram surgindo “turmas do apito”!
Em tempos, no Golfe – 2, ao Kilamba Kiaxi, dois marginais que tentaram assaltar um mototaxista foram capturados por elementos da “Turma do Apito” local e, em vez de apresentá-los às autoridades competentes, pura e simplesmente queimaram os dois assaltantes vivos, em plena rua.
Muitas outras situações desabonatórias praticadas por elementos afectos às tais “brigadas” têm sido descritas por populares, como por exemplo, a restrição de circulação em determinados locais dos seus bairros a horas por eles determinadas.
Quem quiser passar, ou não tenha conhecimento do facto e tente circular ali, é detido e obrigado a pagar um determinado valor, caso contrário, é espancado, torturado e levado para os seus “quartéis” sob acusação de ter cometido uma infracção, entre outros.
Apesar de tudo e das evidências dos desmandos e atrocidades dos “vigilantes”, as autoridades nunca se preocuparam de facto com o clamor dos populares.
Desta feita, apela-se que a operação realizada no Sambizanga para pôr fim à “Turma do Apito” seja extensiva às demais localidades da província de Luanda, onde existem grupos semelhantes que, sob a cobertura de conter a criminalidade, eles próprios têm sido acusados de agredir cidadãos, de sequestros e de tratamento desumano e degradante, bem como de cobrança indevida de valores monetários e usurpação de funções exclusivas das autoridades.
Contudo, os habitantes do Sambizanga, uma das localidades mais críticas de Luanda no que toca a criminalidade, desde tempos anteriores, alegam que com o desmantelamento da “Turma do Apito”, os criminosos já estão a fazer das suas.
Os assaltos à mão armada, na rua e em residências são constantes, raptos e violações, confrontos de grupos de delinquantes, estão novamente na ordem do dia.
Os cidadãos apelam à Polícia Nacional para que façam o seu trabalho, pois tudo acontece porque a Polícia teme os delinquentes, não patrulha os bairros, não vai ao interior das comunidades, limita-se a passar uma vez ou outra nas ruas principais e de noite nunca se vê um agente que seja.
Os marginais conhecem as limitações da Polícia e aproveitam-se para fazer das suas. “A ‘Turma do Apito’ também cometia os seus erros, mas amedrontava os bandidos, agora sem eles e com a Polícia que se limita a ‘passear’ de dia, fazem uns ‘pentes’ e de noite escondem-se nas suas casas, estamos entregues à bicharada”, disse uma moradora do Sambizanga à comunicação social.
Por isso, os cidadãos consideram que é normal ver agentes da Polícia na rua durante o dia.
Depois da hora de expediente público, eles também vão desaparecendo e ao cair da noite, já não se vê nenhum polícia nas ruas de Luanda; até os controladores de trânsito.
Quando estes ainda estão em algumas esquinas é porque o “pente”, durante o dia, não correu bem.
Tudo fica entregue aos “lobos”, mesmo o 113 não funciona ou, se chamar, nunca há resposta. Na periferia já não adianta referir, se aprecem de dia é para “pentear” e de noite é o “paraíso” da delinquência.
Assim sendo, urge que a Polícia Nacional recupere a confiança da população, que os cidadãos sintam de facto que a Polícia zela pelo bem-estar das comunidades, é pela paz, pela ordem e tranquilidade.
Entretanto, recorde-se que a “Turma do Apito” não surgiu em vão. Ao que consta, os seus elementos, na sua maioria eram delinquantes que foram mobilizados para combater a delinquência, ou seja, o crime. Mas por trás de tudo houve um cunho político para que o grupo fosse criado.
“A formação de ‘Turmas do Apito’, uma espécie de milícias compostas por delinquentes, primeiro serviu para vigiar e limitar as liberdades de cidadãos de bem nos bairros residenciais e não só”, disse uma fonte geralmente bem informada, acrescentando que “os ditos elementos, devidamente orientados e pagos, foram utilizados pelo Serviço de Informação e Segurança de Estado (SINSE), para se infiltrarem nas manifestações, inicialmente ordeiras e pacíficas, de protesto às políticas do regime e à miséria a que as populações estão votadas, para desestabilizar a ordem pública, vandalizar e espalhar confusão no seio dos próprios manifestantes, com ofensas corporais e danificação de bens públicos,permitindo assim a intervenção violenta das forças policiais, que se resguardaram na justificação de protecção dos bens públicos, da ordem e tranquilidade”.
Vale igualmente recordar que, em 2021, o então comandante geral da Polícia Nacional, Comissário-chefe Paulo de Almeida, considerou “ilegal” a existência da “brigada de vigilância” denominada “Turma do Apito”.











